terça-feira, 2 de agosto de 2016

Ser comum é chato!



Enquanto ainda não frequentamos a escola, a única coisa que ouvimos é que somos fofos, lindos e inteligentes (e é verdade), normalmente estes elogios vem de nossos pais. Porém, você começa a frequentar o pré primário (meu primeiro contato com a escola, mas muitas crianças começam ir a escolinha bem antes disso) e crianças são doces, mas também podem ser cruéis e é aí que começam os "traumas". Nesta fase a gente descobre, por meio dos coleguinhas, que não somos tão perfeitos, como nossos pais costumavam dizer. Por exemplo, quando os meus dentes de leite caíram e os permanentes começaram a aparecer, meu apelido na escola passou a ser coelhinha. Isso nunca me incomodou, porque quando contei isso pra minha mãe, ela respondeu  que "coelhos são fofos" e eu gostava tanto do Perna Longa, então, pra mim, tudo bem me chamarem de coelhinha. Bom, depois de pouco tempo, o apelido deixou de ser engraçado.

Na adolescência, meu corpo não era muito definido, meus braços eram bem mais longos que meu tronco, minhas pernas sempre foram compridas e sempre fui magra, mas naquela época era MUITO magra. Minhas amigas da época, já tinham os corpos bem definidinhos e isso era um "tapa na minha cara", principalmente quando a "zueira" entre colegas começava e tocavam na minha "ferida". Nesta fase, toda vez que alguém queria me provocar, era sobre isso que falavam. Porém, eu fui uma adolescente muito criativa, fazia piada com tudo aquilo e  por causa disso, os apelidos perdiam a graça.

Dos 10 aos 16 anos, adquiri um estilo completamente diferente. Calça larga, camiseta grande, boné e munhequeira, eu amava isso. Só que até adultos começaram a questionar o meu estilo tão "masculino", porque além disso eu gostava mais de "brincadeiras de menino". Minha mãe nunca me proibiu de me vestir da maneira que gostava e nunca me reprimiu, quando se tratava de eu me expressar da maneira que eu quisesse. Por ver a reação dela que era importante pra mim, eu aderi o estilo que tenho até hoje que se chama "eu não preciso seguir a moda, se eu não quiser", posso me vestir da maneira que estiver me sentindo bem no dia e pronto.

Só pra fechar com "chave de ouro", não costumava gostar do que todo mundo apreciava e sempre tive muitas opiniões que precisavam (e precisam até hoje) ser expressadas. Juntamente com isto, vinham e vem as críticas (construtivas ou não) até hoje, porque quando se é diferente, a tendência é que os que são "padrões" queiram te diminuir. Meus pais e meu irmão sempre foram pessoas maravilhosas (graças a Deus), pois desde criança me dão conselhos incríveis e sei que foi isso que me ajudou a ter a cabeça que sempre tive.

Onde quero chegar contando tudo isto? Primeiro que não sou nenhum exemplo a ser seguido, não me coloco como uma pessoa que merece este título. Segundo que este momento aqui no blog, foi criado com a intenção de me expressar, de contar minhas experiências e ajudar de alguma forma quem precisa. Se por acaso, em algum momento da sua vida sofrer preconceito ou ser ridicularizado, por ser quem você é, mas não tiver ninguém pra te apoiar, você terá este texto, pra refletir que ser você mesmo é a melhor coisa que pode fazer por si próprio. Muita coisa nesta vida é passageiro, amizades, momentos, pessoas, mas você é a única coisa que permanece e a única que importa. Imagina viver sendo quem você não é, toda vez que alguém "padrão" aparecer na sua vida? (que tédio...)

Não devemos nos incomodar com a opinião de pessoas insatisfeitas, falo muito sobre isto aqui no "Chá com Biscoitos". Mesmo porque, este tipo de ser humano, sempre está querendo mais e mais de você e nunca o que fizer será suficiente. Muito menos se importar com pessoas maldosas. Afinal, entenda, quando alguém com intenções ruins percebe que consegue te atingir, normalmente usará aquilo pra te afligir, até você não aguentar mais e se sentir no chão. Se você é magra, começam a insinuar que está doente. Se você é plus size, dizem que está fora do peso. Se tem o cabelo crespo ou cacheado, dizem que seu cabelo é ruim. Se seu cabelo é liso, dizem que você utiliza algum método pra ficar assim. Se namora, o fulano (a) é demais pra você ou você é demais pra ele (a). Se não namora, tem algo de errado, provavelmente você é alguém difícil de se conviver. Se você casar, cometeu um erro. Se não casar, coitada (o) ficará pra titia (o). Se não bebe e não fuma, é careta. E, por aí vai...são tantas insatisfações que se eu comentar todas aqui, o texto ficará maior do que já está (haha).

A verdade é que a sociedade impõe um padrão a ser seguido e isso cresce com a gente. Se decidirmos aceitar o que falam, sinto muito em dizer, mas viraremos um boneco. Porque? Raciocina comigo: Teve uma época da vida que ser "gostosa" era moda, todas as mulheres tinham que ter peitos e bundas enormes; passaram-se alguns anos, o ideal era ser "modelete" cinturinha fina, pouco peito e pouca bunda; hoje em dia a moda é ser "fit", tem que ter o corpo bem definido. Vai me dizer que se aderirmos todas essas modas, não iremos virar um brinquedo? (Aposto que sim).

Faça o que te deixa feliz, se quer emagrecer, engordar ou fazer exercícios, faça porque gosta, não pra ser alguém que não é interessante pra você. Nunca perca sua essência, seja você mesmo, não crie personagens, pra viverem em seu lugar. Se vista como desejar, crie o seu próprio estilo, ele com certeza é o mais lindo. Tenha o cabelo enraizado, ondulado, cacheado, black, colorido, liso, curto, médio, longo. Seja negra, morena, branca, loira, ruiva (tudo isto serve para os meninos também). Demonstre suas opiniões, elas são importantes, tenha certeza disto. E sim, com certeza, em algum momento aparecerá alguém pra dizer que ser padrão é melhor que ser diferente e por mais que ser você mesmo é difícil, no mundo que vivemos, não se abale, você tem uma força que não imagina, mas que pode ser explorada, basta querer.

Pensamentos expostos de Raquel Alves.
Beijos. <3

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